Posted: 22 de fev de 2008 by Lux Alt in
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Pássaros planam num acrobático e sincronizado vôo. Observo, então, o quão desarmoniosa é a minha relação com o universo, principalmente com o meu próprio universo. Ando sozinha, a esmo, nas ruas vazias numa tarde de domingo, enquanto famílias felizes entreteem-se assistindo a algum filme na TV ou passeiam nos parques da cidade. Sinto-me privada de pensamentos, como se um buraco-negro sugasse a minha mente. Saio de órbita e dou de cara com uma poça d’água no meio-fio de um beco estreito qualquer. Percebo um vulto aproximando-se. Imagino ser uma alma caridosa que me ergueria daquele chão imundo. Nada. A minha fraca visão enganou-me mais uma vez. Quem se importaria com uma pessoa igualmente fraca como eu? Levanto, apoiando-me nas mesmas pernas que continuam a me levar a lugar algum.

por Pati Hannah (patigrel@gmail.com)

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