Resenha Do Álbum "Lux Alt - INCOGNITO Vol.1" [2012] Por Anita E.
Posted: 28/01/2012 by Lux Alt - INCØGNITØ in Marcadores: Anti-especista, Anti-Machismo, Anti-Patriotismo, Anti-reprodução, Atividade, Audio, Conluio, Cosmopolita, D.I.Y., Download, Hedonismo, Incógnito, PaixãoO Álbum Incognito surge já decompondo indagações, menções e indignações acerca do humano e sua falaciosa construção de identidade. Do mesmo modo que Lux explica identidade, esse álbum é uma compilação de vários registros passados encadeados por uma força vibratória e inseridos dentro de um encarte belíssimo! Misturando beleza e sensualidade (porque não) e rasgando padrões até então negados mesmo por ele (ela?)...
Já tive conversas prolongadas e estimulantes madrugadas a fora acerca das ideias sobre Incógnito e Queer. Fico impressionada ao ver a prática disso tudo e de modo tão coerente. E quando falo em ver. É que me impressionei ao ver a exposição física com qual Lux nos presenteia nesse álbum. Quem o conhece pessoalmente pode nem notar tanta diferença ou fazer tanto alarde quanto expectadores (assim como eu) que só o conhece por avatares e pequenas fotos de ids das redes sociais. Ou até mesmo quem só o conhece por fotos. Fiquei extasiada com o lindo trabalho fotográfico desse álbum que mereceria uma resenha específica!
O álbum começa com a introdução homônima INCOGNITO, que é uma faixa que tem uma batida excelente inspirada no ATR e que não dá pra recusar a atenção devido a profundidade da letra. Primeiramente abre com uma descrição de si, que Lux tem usado como biografia nas redes sociais, e que era letra escrita para ser uma música acústica com a Ne Koni. A Incógnito Parte 2 Se transformou nessa instigante introdução. Uma música intimista só pra apresentar o trabalho novo descrevendo amplamente e resumidamente a ideia do Incógnito.
Make Love, Not Babies já era conhecida, porém ganhou uma nova mixagem que a deixou melhor ainda. E menos histérica. Dando mais atenção ao fankeado... Numa excelente mistura de batidas graves e agudas. Que algumas vezes ainda ficam agudas demais, provavelmente fazendo alusão ao agravamento de se ter uma cria. É um chamado, um pedido e uma ordem robótica de proliferação do amor e não da vida humana. Em um quote conhecido de contracepção. Mas por ser uma faixa curta e sem grande evolução, passa rapidamente.
Um uivo de vento abre a audiopoesia Sob Um Só Guarda-Chuva, que teve origem no excelente zine Incognito. Fala de uma união sob um ideal, e um relato acerca de um acolhimento voluntário perante a tempestade social. A mixagem ficou maravilhosa e chega a dar frio e arrepio na espinha ao ouvir o vento e o começo da chuva.
Imagino agora quatro Lux andróginos em um palco mal iluminado cantando Live, Lust, Love, Life! Uma faixa quase instrumental, sedutora e excitante. Entra no mesmo patamar de Libera Amo e Trabalhar Mata Parte II, como se fossem essas específicas de um produtor distinto.
O Desígnio Da Vida parece um som de fábrica, mais uma vez criticando a reprodução humana. E o constante incitamento a seguir o que consideram como o destino vital de todos os humanos que seria a reprodução. Uma resposta perfeita em uma melodia experimental e algumas vezes tensa.
Cyberskin é uma das mais longas faixas do álbum, pegando elementos experimentais e misturando numa charmosa semidançante. É aquele tipo de música que não faz você se jogar na pista, mas que também não deixa você parada. Seria uma ótima instrumental. O vocal não parece encaixar, muito menos seduzir, o que parecia a proposta. O uso de reverberação com os efeitos metálicos faz você gozar mais do que as batidas em si. E levando em consideração que a musica é sobre masturbação e utilização de mecanismos artificiais para obter mais prazer, a música ganha pontos certeiros. É mais coerente do que boa.
Outra poesia oriunda do zine Incógnito. Além De Membros tem uma melodia que me fez dançar noites a fora, inclusive numa festa que promovi. Essa faixa continua numa estável sintonia e faz a pessoa dançar e até arriscar alguns passinhos. A poesia encaixa perfeitamente em todas as partes que entra. A letra é uma simples e profunda indagação crítica acerca da concepção primária da identidade... A sexual biológica. E que a maior parte da sociedade leva para sempre.
First Sensation é muito absorvente e conectiva. Não sei se é porque tem uma mensagem de serenidade derrotista. Uma acusação e advertência logo ao início da existência. Gostei que os arranjos continuam com aquela atmosfera futurística experimental e com um tom metalino que inicia uma batida que entoa até o fim. Destaco que a voz assim como na introdução do álbum arrepia pela gravidade.
A próxima começa com uma intro que me lembra de algo dos filmes de invasão alienígena, remetendo a algo relacionado a conquista de território. We Are Intruders é o refrão e de encaixe impecável com uma batida abreviada e do tipo que chama todo mundo pra dançar junto. O mais impressionante foi saber que a voz mesmo com muito autotune é a de Lux Alt. Não tem como reconhecer! A melodia evolui por sintetizadores terminando com elementos dramáticos orquestrais!
Outra audiopoesia perfeita é a Sendo Outro entoada em uma leitura relativamente robótica e seguramente para parecer sem emoção. Aqui a melodia fica em segundo plano, mas que encaixa impecavelmente.
Go Shortbus, I Will é uma instrumental dançante e toda bonitinha. Pega rudimentos de tudo, mas o que mais marca é o experimentalismo dançante. Em sintetizadores agudos e cordas desencontradas, remete a conjectura da individualidade identitária por qual somos rotulados e/ou torturados na sociedade. Apesar da pouca tensão, a melodia tem um aspecto de unidade quando se juntam elementos variados que jamais esperaria que funcionassem juntos.
O efeito de modulação vocal encaixou incondicionalmente em Por Ser Eu. Audiopoesia de produção semelhante a Sendo Outro... A seriedade grave da voz de Lux, não faz ter graça, mesmo com a voz mais aguda. E revela a intimidade do reconhecimento de sentir-se deserdado num planeta viral.
Odeio Rodeio é uma música criada para embalar o #OdeioRodeio que foi um Twitaço em protesto à Festa do Peão de Barretos e foi publicada em 23 de agosto de 2011. A manifestação digital ocorreu em sucesso. Ficando em 1º lugar nos Trends do Bra$il, e ainda entrando para os Trends mundiais.” É dançante e instigante, o tipo de melodia que embalaria até o amanhecer de qualquer rave.
I Surrender To Freedom é um lamento libertário. Tem um anseio desértico e árido. Uma inspiração oriental toma conta de grande parte da melodia, mas que é quebrada por um chimbau artificial. Os vocais ficaram desesperadores, e inspirados. Algumas vezes não encaixando, mas que no geral não fazem muita diferença. A música não chega a comover, mas faz sentir algo! Mesmo que seja o vazio, faz sentir!
A música seguinte tem uma poesia genial, mas que decepcionou bastante pela produção pobre. AutoEstalo não parece fazer parte de nada. A letra e a melodia são impares, mas não poderiam ter sido somadas. Certamente a pior faixa do disco.
Já Amnesia é de uma simplicidade encantadora. Até a frase simples ecoada tem seu encanto sedutor. Sinto como se Lux tivesse começado na produção em programas de melodia agora! As batidas são muito resumidas e os efeitos muito amadores. Porém não decepcionam. Mostrando que por mais que nos enfeitemos com lindas molduras, terminamos por nos esquecer de quem somos por dentro. O simples, ao básico, o fundamental inicial.
O Nosso Conluio é uma das, senão a melhor do álbum. Uma batida mais arrastada, entoa a fenda eletrônica para o vocal re-analogado recitando a poesia de queixa e admissão de individualismo do coletivo. Já Equinox (que é uma referência ao equinócio de primavera, quando foi lançada) soa como uma faixa bônus. A participação (com um belo trecho de As Bachianas de Heitor Villa-Lobos) parece a retomada a combinação de música clássica e batidas eletrônicas inesperadas que Lux faz desde o seu 1º trabalho. A última peça, Cosmopolita é uma despedida instigada, crucial e interessante. Simplesmente depois de uma hora de disco, parece que o cd vai se iniciar com as composições e batidas contagiantes e enfurecidas. A poesia é maravilhosa! Segue o resto do contexto e merece apropriado destaque e apreciação.
O Álbum Incógnito acaba com essa vontade de quero mais. Mas sabemos, desde a estreia que vai ter mais. Afinal é esse o primeiro volume de dois ou três álbuns intitulados Incógnito. Fico sempre lisonjeada de ouvir em primeira mão as compilações de Lux. Mas dessa vez fiquei extasiada com a arte do encarte. Em fotos deste ser incógnito como jamais esperava ver, e talvez ele mesmo jamais esperasse publicar. A delicadeza é uma característica, mas o perfeccionismo talvez seja o bom defeito mais característico de Lux. Pela primeira vez o vi inseguro quanto a data de lançamento, modo de lançamento e uma inquietação com esse projeto. Mas noto que por mais que sejam apressadas, repentinas ou atropeladas, as imposições produtivas sempre dão maravilhosos frutos. Estou impressionada com a inovação, mais com a direção de arte do que com as músicas em si.
Mais uma vez tendo a certeza de que as Poetronicmusics de Lux são outra modalidade de zine. Vale demais abrir os ouvidos, a mente e porque não as pernas e a identidade para introdução desse álbum em você! Dica. Ler o zine Incógnito ouvindo esse álbum vale a experiência!
Por Anita E.









adorei a resenha, muito bem escrita.. Deixando a pessoa com uma vontade de escutar a musica e sair lendo todos os zines. Parabéns e obrigado pelo presente aos meus ouvidos..
saúde e anarquia!