Resenha Do Álbum "Lux Alt - INCOGNITO Vol.2" [2012] Por Anita E.

Posted: 23 de jun de 2012 by Lux Alt in Marcadores: , , , , , , , , ,
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Abruptamente Lux Alt apresenta mais uma parte do organismo Incógnito: O segundo volume duma trilogia chegou mais rapidamente do que eu esperava. Mas não reclamemos! Aclamemos essa impressionante corrente fluente de produção.
O álbum não surpreende musicalmente, foi essa minha primeira impressão. Porém, a arte do álbum como um todo está a nível profissional.
 Algo diferentemente íntimo está exposto nesse contexto que usa imagens de “estudos de anatomia humana”. Lux estava disposto a pôr mais nudez no tema incógnito e o fez. Trazendo-nos vísceras da identidade dele. E quando uso a palavra vísceras é para ressaltar a relação da exposição de um material reservado, como o qual, não necessariamente digno de exibição. Contrastando drasticamente do volume anterior, mas bebendo na mesma fonte inspiratória: Seu próprio texto Incognito:Pós-Identidade Queer.

Meu Sangue faixa que abre o disco, é uma típica introdução. Faz compilar o tema geral, mas deixa a desejar em emotividade. Parece empurrada a força. Mais do que a força das “batidas do coração”. Seguindo a instrumental Chronophilia qual já havia ouvido no blog, mas não parecia ser tão maçante em sua introdução. A melodia soa arranhada, mas que toma um bom e dançante gás depois que se solta. A explicação do termo é um poço de complexidade. Sinceramente, não consegui ter entendimento completo, mas deixa-me imaginar que as batidas foram inspiradas nessa complexidade. Quando As Grades Não São Nossas é uma audiopoesia que lembra o velho estilo e os velhos métodos de produção de Lux. Inclusive em qualidade. Tem um alento emanado por melancolia e altivez. Merecia ter sido mais bem cuidada.

A quarta faixa é Automatonophobia uma instrumental que em sua introdução me fez lembrar aqueles bonecos de filmes de terror. Tem uma eletricidade especial e começa a dar configuração aos pensamentos de brincadeira e fantasia quando acaba. No encadeamento crianças brincando de amarelinha(?) acendendo a audiopoesia A Sujeira Não Está Na Areia, melhor faixa até então que é entoada em voz sóbria e grave. Mas de modo gentil e afável enquanto as crianças brincam ao fundo, introduzindo Bullying, outra instrumental espetacular. Possui duas melodias desiguais que ecoam encaixe, passando mensagens diferenciadas ou paradoxais. Tem um ar de ascensão sendo tocada por uma banda em um botequim escuro e de luz cômoda vinda do teto. Faltas Ou Festas? É uma música com vestígio circense com ska. Difere de todo o resto por sua alegria. Sua letra é um tapa na cara ao estilo ácido e irônico de Lux. Sua voz trocada de tom chega a ser cômica também. E divertidamente passa para a tensa Necrophilia cheia de sintetizadores densos e histéricos que tem um tom mórbido, porém ineficaz. Talvez essa fosse a ideia, algo morbidamente falso e que posteriormente deixa de fingir para ter uma realidade obscura cheia. E surgindo das sombras sussurrantes a Conselho Extático traz uma atmosfera reveladora de voz duplicada dando conselho hedonista. Uma das que faz a imaginação flutuar até uma musicalidade estranha chegar ao ouvido esquerdo.

Estalos de dedo abrem a brega estridente Till My Dying Day que com seus violinos quase faz o ouvinte desistir de ouvir a declaração de amor que só é entendida realmente ao fim da faixa. Quando todo o contexto se encaixa. Não deixa de ser brega e repetitiva e de uma agudez que supera qualquer outro ingrediente que pudéssemos provar. E com uma quebra drástica Tanto Por Nada é nublada de sabor e luz que fazem os ouvidos relaxarem e se jogarem às palavras firmes consideradas na poesia. E quando você está chegando ao paraíso auditivo chega a Thanatophobia! Faixa instrumento experimental completamente amadora e sem sal. Sinceramente não compreendi o pretexto dela. Usa de bons elementos, inclusive o constante ressoar num canal e o baixo, que apesar de simples, cumpre o papel. Mas nada se encaixa!

Tudo muda com Hedonismo, A Cura que é uma eletrônica básica e dançante que mesmo mexendo no tempo da melodia para a poesia encaixar, traz a fórmula simples e agradável desses órgãos incógnitos. E como um corpo, você vai sentindo a anatomia do álbum sendo esquartejada. Alguns órgãos sendo aproveitados e outros desprezados. Conluio Ativo é outra instrumental, porém mais encantadora e densa apesar de curta.

Ensejo Constante é possivelmente a melhor faixa. Cheia de instrumentos realísticos. Seguindo a fórmula de Libera Amo, Trabalhar Mata Parte II e Live Lust Love Life de discos anteriores. Impecável qualidade. Batidas marcadas, baixo imponente e contestador somando uma gaita que dá o charme hedonista que a poesia clama. Só não gostei da duplicação da voz no clímax. Tirou a realidade do ambiente. Mas o resto todo é orgástico e faz qualquer ouvinte desejar a existência também. Em minha opinião, o disco poderia finalizar com essa. Contudo surge Who Am I? Que é outra mais destoante do resto do álbum e não chega a ser um órgão dessa anatomia, sim uma mancha. De longe a mais desagradável e infeliz faixa. A voz não encaixa aos níveis da melodia e o efeito de disco na vitrola já deu não é? É sobre esse tipo de faixa que muitas vezes alerto Lux que não precisam estar num álbum se elas não adequam. É certamente mais sensato fazer um bom álbum amarrado que dialogue a mesma língua do que isso. Não exagero quando digo que essa faixa quebrou. Digo até que foi irresponsabilidade mantê-la junto ao resto.
Todavia A Facilidade Da Inoperância retoma o sabor fervente e cítrico de boas batidas e poesia longa embalada em um tom mais grave. Abrindo caminho para folclórica Amistosa Sobriedade que nos leva a viagens épicas de amizades milenares ajoelhadas em altares de sacrifícios. É costumeiro dos álbuns de Lux terminarem com atmosfera de reinício. Com Sendo Coletivo Hipotético não seria diferente. Tem uma pressa que vicia e chama para pista. A mais extensa faixa passa ligeiramente como um orgasmo sem deixar de arder pela poesia.


Incognito Vol. 2 é um álbum que se equilibra numa balança que incide até para quem faz tudo sozinho no melhor estilo DIY. Deixa a desejar em inovação musical, afinal até os mais alternativos têm que superar a si a cada projeto e ser alternativo experimental nos causa ainda mais expectativas! Contudo a qualidade do encarte booklet está indiscutível, valendo já o download. Todos os mínimos detalhes encaixados e agradáveis à vista. Na balança pesaram péssimas faixas que fazem o disco parecer tedioso. Vale a pena ouvir a compilação. Não chega a frustrar, porém valeria mais se pudéssemos tocar esse encarte e ter só as faixas mais legais neste álbum.
Lux merece todas as congratulações por ciar trabalhos tão característicos em tão curto intervalo e completamente sozinho. Chocante! Espero desde já e com mais expectativas (tanto musicalmente quanto artisticamente) o próximo e último volume do Incógnito. 


Por Anita E.

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