Resenha do “Lux Alt - Incognito EP” [2013] Por Anita E.

Posted: 14 de abr de 2013 by Lux Alt in Marcadores: , , , ,
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Finalmente Lux Alt deixou de lado o ecletismo misto, ou compilou nesse movimento um pedaço singular da anatomia do Incognito com esse EP de preciosas harmonias esplêndidas. Algumas já conhecidas e resenhadas de álbuns anteriores e outras deleitosas inéditas. As considerações que fiz antes das cinco primeiras faixas continuam semelhantes.


Imagino agora quatro Lux andróginos em um palco mal iluminado cantando Live, Lust, Love, Life! Para abrir o EP. Uma faixa quase instrumental, sedutora e excitante.
Trabalhar Mata Parte II é de uma delicadeza áspera e sorumbática que faz entrar no coração e rever nosso julgamento de vida trabalhista. “Um dia a ficha cai, e tudo não valeu!” Isso continua martelando em minha mente por horas após ouvir a canção.
Libera Amo embalou muitas das minhas noites regadas a vinho e cigarro. Ela tem uma sensualidade íntima. Com a voz grave repetindo Libera... Amo! Parece um pedido e uma ordem! Fez-me ter orgasmos com essa quase instrumental! Imagino uma banda bem composta e Lux no vocal, mas lembro de que isso tudo é feito por uma pessoa só. É de impressionar!
Bullying, é uma instrumental espetacular. Possui duas melodias desiguais que ecoam encaixe, passando mensagens diferenciadas ou paradoxais. Tem um ar de ascensão. E ascende para Ensejo Constante que é possivelmente a melhor faixa. Cheia de instrumentos realísticos. Seguindo a fórmula de faixas anteriores. Impecável qualidade. Batidas marcadas, baixo imponente e contestador somando uma gaita que dá o charme hedonista que a poesia clama. Só não me agradou a duplicação da voz no clímax. Tirou a realidade do ambiente. Mas o resto todo é orgástico e faz qualquer ouvinte desejar a existência também.

   A letra de Deuses de Areia é agressivamente depressora. Contestadora e realista. Faz um questionamento direto ao deplorável estado cristalino das ideias de crença alheia. A melodia acompanha todo esse movimento. Somando uma sombria arrogância. Agradavelmente medida seguindo o EP.
Limites Temporais não se limita ao padrão meloso do resto da coletânea. Tem uma animação ímpar e impetuosa. E como não poderia deixar de ser, faz imaginar estrada viagem... Algo sem rumo. Há esse clamor melódico pelo hedonismo cáustico e emergencial. Há uma diferença no tom de voz de Lux, que não agrediu a letra, mas também não deu a merecida atenção à magnifica poesia.

E se desde as primeiras faixas, somos chamados a imaginar bares e boemia. Essa última peça abona e estabelece mais concretamente tal insinuação. Em Reflexos Identitários ouvem-se pessoas ao fundo do que seria um bar. Muito bem arranjada letra com a harmonia temos um final feliz de uma compilação digna. Sem arrogância ou vergonha.

E mesmo com toda essa imagem boêmia, esse é provavelmente o disco mais sóbrio de Lux Alt. A arte mais enxuta, menos apelativa ou densa se adequou bem entre o Incognito Vol.2 e o volume que procederá. Todos os álbuns valem a pena serem ouvidos. Mas esse EP está especialmente amarrado. Completo. Altamente recomendado.

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