Se hoje o mundo fosse acabar,
Estaria mais inconformado do que nunca...
Não ouvi todas as músicas,
Nem terminei de ouvir aquela que me lembra algo
O que fazer ou deixar de fazer
Ao raiar de uma ultima aurora vespertina.
Se hoje eu pudesse dormiria antes
De não mais acordar para mais tarde,
Para poder ter a certeza de que não era sonho
O pesadelo que é o hoje,
Que o mundo no qual estou vivendo
Está mesmo se acabando.
Se hoje fosse o dia,
Não me importaria em não fazer nada de muito,
Do que tanto desejei,
Já que a realização não faria diferença considerável
Numa satisfação tão breve,
Se eu não teria com quem dividir tal momento.
Se o hoje viesse antes
De uma conscientização coletiva e auto-preservação,
A utopia teria se realizado
Em sua formatação mais crua, em sua encubação.
Pois o sentido de utopia ser utopia
É não passar além adiante acima em frente disso.
Quem se importa com um hoje numa utopia,
Se podem viver o hoje como sempre,
Quem se importa se só eu estou inconformado,
Se podem ignorar o que lamento...
Quem se importa com alguma coisa realmente real
Que passe da ilusão social?
Se hoje não sair de casa
Nem para ver se há na caixa do correio
Uma carta de despedida, não haverá problema,
Pois o anuncio do fim chegou,
Antes de qualquer tentativa
De uma lamentação ou consideração.
Não há problema se fui eu o único espectador...
De todos os hojes
Até nisso sou humano egoísta, e prefiro ter o solo triunfo!
Mas, se hoje pudesse sentir
Um único sentimento,
Mesmo que fosse doloroso
Como ter a pele corroída por explosão nuclear,
Continuaria sentindo a inconformidade de fazer parte da humanidade.
