Disponível para audição e download no site oficial homônimo a partir deste domingo 14/08/11 o Por Uma Liberdade Mais Ativa! - quinto álbum D.I.Y. do compositor e mixer Lux Alt - é oscilante viagem de registro das postagens do blog até a atual data. Para Lux, as músicas formam espécie de diário dessa passagem iniciada no dia 01/01/11 com o texto que aqui no álbum foi dividido em quatro partes formando respectivamente Introduções e Outros. A compilação completa conta com 2 discos de músicas, mais um terceiro disco de faixas bônus bem legal e complementar, mais uma pasta com a artwork do álbum e outra pasta com Zines e Livretos bem interessante! Ainda não li todos, mas a resenha principal a qual me aterei vai ser dos dois discos principais: Por Uma Liberdade Mais Ativa Vols. 1 e 2. Onde reafirma que ele está aqui para essa atividade incansável de produzir, no intuito de libertar um pouco os ouvidos de quem ouvir.
Conceitos à parte é álbum de difícil digestão, tendendo ao experimentalismo nem sempre feito com austeridade. E excedendo a quantia de faixas! É material demais pra se digerir de uma vez Lucas! Essa forma de zine é mais complexa de se degustar!
Entre o eletrônico tema instrumental que abre o disco a Intro 1 com som de pássaro ao fundo, parece cantar um convite interrogativo. A ideia de repetir o mesmo som no Outro faz confirmar a divisão do texto. Que por sinal é belíssimo! E aparece em formato completo no disco bônus.
A segunda faixa é Assassinato Colateral Parte 1 é uma faixa dançante que tem ao fundo o áudio revoltante da gravação divulgada pelo Wikileaks nesse vídeo aqui. A comunicação militar parece encaixar perfeitamente no ritmo. Não sei como ele fez isso, mas funcionou corretamente. Seguindo vem com som de trem a audiopoesia Colheita De Pensamento, que parece ser recitada em uma estação férrea. Dando bastante ênfase a voz grave de Lux. Incognito Gender me fez dançar em janeiro, e lembro bem como tinha gostado do experimentalismo repetitivo dessa faixa. Só que aqui ele cortou e tirou parte da musica adicionando mais vocais robóticos. Ficou boa, mas eu preferia a completa. The Most Basic Fear é uma canção simples que fica entre a musicalidade experimental e audiopoesia dissolvida. O efeito metálico segue para uma corda sendo dada em uma caixa de música, com uma belíssima harmonia que serve de fundo para Comportamento De Engrenagem, encaixando certeiramente. E logo se fecha um bloco com Assassinato Colateral Parte 2, em uma melodia que parece um lamento elétrico. Onde quis dar atenção merecida aos tiros. E que mais uma vez se adapta ao áudio do vídeo continuado aqui.
Uma introdução em cordas graves abre a parte que ilustrou o mês de fevereiro desse ano. Onde Lux Alt quis fazer uma trilha para o tema do blog que na ocasião era o Casa Das Mariposas. Assim, todas as faixas de tal mês eram relacionadas ao conto. Mariposas Pálidas é uma faixa triste e pesada. De uma poesia sensível e severa. Fala de um acordo belíssimo. É seguida da medíocre Ocupar Resistir que não faz sentir muita coisa, mas parece encher o pacote com a repetição nos dois ouvidos separadamente. Condições Ideais Para Liberdade é simplesmente demais! Tanto a poesia, quanto a melodia, não saem da cabeça. Até a estática da melodia tem ritmo! A versão que estava disponível no blog era cortada. Libera Amo embalou muitas das minhas noites regadas a vinho e cigarro. Ela tem uma sensualidade íntima. Com a voz grave repetindo Libera... Amo! Parece um pedido e uma ordem! Fez-me ter orgasmos com essa quase instrumental! Imagino uma banda bem composta e Lux no vocal, mas daí lembro que isso tudo é feito por uma pessoa só. É de impressionar!
Uma batida simples com guitarras distorcidas metálicas veste Vício Em Liberdade, e é daquelas mensagens que você sente que é pra você. É uma poesia com lamento, rancor e soberba. Mas tudo muda com a dançante Vendeta. Música que faz você mexer o esqueleto tendo experiência única em fones de ouvido. Mas confesso que a surpresa me assustou no final da faixa! E mais um bloco se fecha com a nuance do conto Casa Das Mariposas.
No mês de março, foi o mês de lançamento do álbum anterior de Lux Alt – DeMente, qual ainda estou apreciando! E o tema não poderia ser outro senão loucura. Penso... Logo Desisto De Pensar! Tem uma composição aguda de piano, que fica na mente por vários momentos. Seguindo por Criatividade + Vontade = Insanidade! Que é introduzida por uma moça falando em mandarim (acho) e consegue transportar um clima de buraco, ou o que a mente teria de profundo e grave.
Medo Irracional conseguiu um efeito de alerta. E não tem como você fechar depois os ouvidos à poesia entoada em um ponto do ouvido que faz sentir diferentemente essa faixa. Ainda mais pelas vozes sinistras que perambulam o clima denso.
Apesar de ser completamente sintética e instrumental, Rorschach é de uma ternura triste nunca experimentada antes. Não estou sendo piegas ao dizer que é emocionante mesmo! Toca profundamente. Momentos A Deriva ficou a deriva no disco. Simplesmente não convence a formula de eletrônico medieval meio Era, meio trailer de jogo de RPG. Só a poesia e o fundo dessa escapam, pois encaixou perfeitamente com os ponteiros do relógio.
Uma frase em árabe que diz: Por baixo dessa carne existe um ideal. E as ideias nunca morrem... As Ideias Nunca Morrem... Retirada perfeitamente de V de Vingança. É dançante e impulsiva! O Outro, tem a melodia igual a Intro, como mencionei, mas dá para notar que o som do pássaro ao fundo é diferente. E segue a 2ª parte da poesia que dá o título do álbum.
O Disco passa mais rapidamente do que se espera. Gostei também da faixa bônus Responsabilidade, que é um rap de linguagem mais culta mostrando assim outro enfoque de Lux Alt... E nesse disco de mais ou menos 73 minutos ele adensou seus sons e ideias. Transbordando psicodelismo e inovação! Pega bem para se ouvir no fone de ouvido na correria diária.

Por Uma Liberdade Mais Ativa Vol.2, o segundo disco é introduzido por uma faixa semelhante à Intro do 1º disco. E mais uma vez um diferente pássaro canta! Chamando a mais uma viagem ativa em asas livres. No geral já achei as faixas mais experimentais e parecem ter uma assinatura. Dá pra conceber o processo de criação dessas composições. Tudo está mais homogêneo ao mesmo tempo livre! Logo em Empty Garden, um som repetitivo faz abrir nossos corpos para uma torrente de sentimentos entoados por melodias simbólicas e transcendentais. A frase final dessa faixa faz tocar no íntimo da solidão. Reprodução – Dança Do Sacrifício fala em voz de um inumano. Apoiando a contracepção e advertindo o problema e ou sacrifício de se ter mais um ser como eu e como você. No Cemitério é mais uma compatível de denúncia como Assassinato Colateral. Em momentos chega a ser tenso ouvir essa faixa pelo risco que a pessoa no áudio passa coisa certeiramente acompanhada pela melodia. Um Despertar Para Volta parece seguir a mesma linha de faixas que embalaram o mês de abril. É uma faixa que não fede nem cheira. Infelizmente uma que fica logo no esquecimento. Enkoyito Style é um chamado em haitiano crioulo aos companheiros Incognitos a uma dança cacofônica. Tem um espirito ingênuo e muitas vezes você pensa estar ouvindo vozes ressoando dos sintetizadores cíclicos. Bem dançante, mas não aconselho escutar em fones de ouvido essa. É um experimento desagradavelmente estranho.
A Chance To Sow tem uma bela poesia que é recitada em inglês, e segue o mesmo fluido estilo das primeiras faixas, mas finaliza sem glamour esse período de abril.
Workaholic abre a peça que fala de trabalho com uma frase de Bob Black. A melodia contagia e tem um ar misteriosamente ácido. Como se remetesse ao som de uma fábrica em velocidade reduzida. Era Dos Para-Choques esteve em meu mp3 por muito tempo. Ela tem a vestimenta ideal desse tema que é o trabalho. Uma bela melodia que não deixa a desejar em nada. Parece que Lux encontrou uma identidade ao duplicar a voz nessa música de poesia derrotista e bela. Curriculum Vitae começa como se tivesse um pedaço cortado, uma jogada interessante quando se fala em historia de vida profissional. Dançante, mas deixa a desejar batidas mais marcantes.
Trabalhar Mata Parte II é de uma delicadeza áspera e sorumbática que faz entrar no coração e rever nosso julgamento de vida trabalhista. “Um dia a ficha cai, e tudo não valeu!” Isso está martelando até hoje em minha mente.
Previdência (La Seguridad) tem um aspecto de reconhecimento e parece um bailado sem sentido ao abancar. Mas vai assumindo forma até se dividir em polaridades auditivas que consomem o resto de esperança tomada pela voz firme e vagarosa que em italiano relata um ponto da nossa existência alienada. E Naturais Papeis Escolhidos volta ao alívio de audiopoesia simples fechando mais uma peça.
Palmas abrem Adorcismo, de melodia refrescante, mas de vozes inquietantes. Lembro que quando ouvi pela primeira vez essa faixa eu gargalhei muito. E não tem como ficar parada com a batida virada e possuída dessa composição. Adorei a letra que ficava repetindo no caminho de volta do trabalho.
Com Amor Profeta... É uma resposta aos evangelizadores que teimam em querer impor suas alienadas religiões proféticas. E é nesse ponto que você nota que o álbum está evoluindo, com suas audaciosas temáticas ateias. Quando começa Sonhos & Mitos. De simples e coerente harmonia faz você atentar-se e esperar algo que não sabe em que porta está ou estará. Pergunta Fundamental merece um mérito especial pelos encaixes perfeitos dos vocais. Faz sentir uma corrente arejada de ar diluindo a face da verdade. Mas parece menos poética do que Lux costuma fazer. SkyFire, parece a mais experimental do disco. E apesar de ter pouca evolução, consegue passar certa tensão gradual.
O Outro retoma a melodia do início com outros pássaros convidando a libertação. Destino Mútuo é outro rap bônus. De melodia despojada, mas de poesia rica. Dá para intuir que foi usada como brincadeira mesmo.
Saber que as imagens que ilustram as capas dos discos são fotos realizadas por Lux no jardim de sua residência, evidencia um outro caminho a se explorar nas artes! Direção de arte belíssima da compilação! E o arranjo em peças mensais faz a gente sempre esperar mais artes ilustrativas das capas promocionais desse trabalho tão completo e organizado que é o do blog!
Gostaria de explanar mais sobre as outras pastas do álbum mas já me excedi em palavras. Vale a pena conferir, pode mudar sua vida! É como posso simplificar.
Enfim um final feliz, em meio a recaídas, paixões, impulsos, rancor, sexo, violência, trabalho, amor e liberdade. Mesmo quando Lux Alt parece vociferar, é meigo. Um pouco desequilibrado e, em especial, vulnerável, o narrador sempre retêm um caráter soberbo e normalmente confiante, verbalizados por uma voz que mescla uma inconfundível dose de jovialidade e audácia.
Apaixonante.
Anita E.
Jornalist@