Suspenso
ao ar da incerteza futura,
O povo
reza por um dia de consciência.
Imerso
em tolice produzida pela cultura,
O povo
se embriaga em cega obediência...
Controverso em ação, razão e
postura,
O povo se obriga a conviver por
carência.
Disperso
em sentimentos de ditadura,
O povo
deseja a prisão da livre dependência.
Propenso
à individualidade cruel, fugaz e pura
O povo quer
somente arruinar-se em decadência.
O bom-senso
se encaixa somente na moldura,
Quando o
povo deseja que moral seja inocência.
O povo
quer inconsciência da iminência de ausência...
Tudo seria melhor sem essa humana tortura,
Que faz da loucura o sentido da mais obscura ciência,
E a demência a essência para uma impossível cura.